Fernando Bezerra: um líder suspeito

O emedebista é a velha política, da ala de Renan Calheiros.
Em maio, o senador, relator da MP da reforma administrativa, defendeu a aprovação do “jabuti” que proibiu os auditores fiscais de compartilharem indícios de crimes diretamente com o Ministério Público Federal.
Major Olímpio ainda tentou adverti-lo de que aquela não era a posição do governo. Mas acabou ouvindo a verdade do plenário: “A base do Bezerra é muito maior que a do governo”.
No mesmo mês, o TRF-4 determinou o bloqueio de até R$ 258 milhões em valores e bens do líder, como parte de uma ação de improbidade administrativa da Lava Jato.
Uma reportagem da Crusoé mostrou também que Bezerra foi delatado por dois agiotas de Recife. A delação fala na movimentação de milhões de reais para o financiamento suas campanhas e a de seu filho.
Outro momento marcante do ano ocorreu em setembro.
No dia 19, policiais federais cumpriram mandados de busca e apreensão nos endereços e até nos gabinetes do líder e de seu filho, o deputado Fernando Bezerra Coelho Filho.
O senador foi acusado de receber propina de empreiteiras quando era ministro de Dilma Rousseff. Segundo a PF, Bezerra recebeu R$ 5,5 milhões de dinheiro desviado de obras públicas.
Na justificativa da busca e apreensão, o ministro Luís Roberto Barroso disse que, durante a investigação, a PF “reuniu uma impressionante quantidade de indícios de cometimento de crimes”.
Com a repercussão do caso, Bezerra colocou o seu cargo de líder do governo no Senado à disposição de Bolsonaro.
Na contramão do discurso de campanha, o presidente manteve o senador na liderança, a despeito das investigações.
Alegou que o senador faz “um excelente trabalho”. E que seu governo precisava de voto no Senado para aprovar a reforma da Previdência.
Na verdade, Bolsonaro esperava obter maioria para aprovar a indicação do filho Eduardo ao posto de embaixador do Brasil em Washington.
Em dezembro, a Crusoé revelou mais uma encrenca envolvendo o líder de Bolsonaro.
Aldo Guedes, acusado de ser o operador do falecido Eduardo Campos, disse à Lava Jato que Bezerra era uma espécie de arquiteto de um esquema a empreiteiras e, ao mesmo tempo, beneficiário direto de parte dos dividendos.
Segundo o candidato a delator, do total arrecadado junto às empresas, 60% iam para Eduardo Campos e 40% ficavam com Bezerra.
Mesmo depois de tudo isso, Bezerra permanece líder. E suspeito.
Fonte: Antagonista.com

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